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O AGRONEGÓCIO OPORTUNISTA

Campos de plantio  de soja em Buriti-MA, Cerrado Maranhense - Foto: Correio Buritiense


ESPAÇO OPINIÃO/DEBATE

 ·Por Mayron Régis,  Jornalista e Presidente do Fórum Carajás.

Os anos 2000 viram despontar no cenário econômico social do Leste Maranhense dois projetos de produção agrícola e florestal: a soja e o eucalipto. Eram projetos, de certa forma, conhecidos de vários setores de parte da sociedade maranhense que experimentou os anos 80 e os anos 90 no que eles tiveram de pior: o empobrecimento de amplos setores.

Tanto a soja como o eucalipto entraram na vida da população com o discurso de que a situação de pobreza em que os maranhenses se meteram só encontraria uma solução caso os governantes adotassem as suas ideias de produção e produtividade. Há um quê de oportunismo nesse discurso porque ele enuncia aquilo que o outro quer e precisa escutar.

O Maranhão é um dos estados mais pobres do Brasil que apresenta indicadores sociais e econômicos risíveis, portanto, se faz urgente que venham investimentos de outros estados brasileiros e de fora do Brasil para que o estado saia de seu atraso costumeiro e modernize-se. Pobre socialmente, mas rico em oportunidades as quais seriam recursos naturais, muita água, muita terra e muita floresta.

Esses detalhes, a maior parte da população desconhecia. Cabia saber aos maranhenses que o Maranhão era lindo e acolhedor. O maranhense recebia bem os de fora, porem cuidar do que realmente valia a pensa não era com ele. Deixava para os outros. Um projeto econômico não se instala numa determinada região baseado somente em informações técnicas e projeções de lucro e de riscos. Ele se instala também a partir de uma base político-social.

Um projeto empresarial não detém uma base político-social de apoio. Ele a requer. Ele deve tomar seus cuidados porque essa base se move de acordo com seus interesses. É bom relembrar o processo de instalação do projeto de pellets da Suzano Papel e Celulose entre os anos 2010 e 2015 no Baixo Parnaíba. O projeto da Suzano indicava 80 mil hectares de plantios de eucalipto para a produção de pellets (pequenas barras que virariam energia térmica na Europa). Esses 80 mil hectares passaram às mãos da Suzano por processos intensos de grilagem de terras nos anos 80 e 90.

As grilagens foram acobertadas por grupos políticos locais e regionais que levavam a sério o projeto da empresa. A Suzano Papel e Celulose levou a sério as comunidades tradicionais e quilombolas em seu projeto de desmatamento e plantio de eucalipto? Pelo que se sabe a empresa mantinha uma relação oportunista com as comunidades, não só do Baixo Parnaíba como de outras regiões do Leste Maranhense.

O oportunismo da Suzano se virou contra ela (o feitiço se vira contra o feiticeiro), pois seu projeto de pellets encalhou por falta de investimentos e porque não havia área disponível para o projeto. Aí entra outro oportunismo: o dos sojicultores. Uma empresa oportunista é uma coisa complicada. Milhares de produtores de soja oportunistas é mais complicado ainda. Estes observavam atentamente as movimentações da Suzano para caso ela vacilasse, eles tomariam de conta das suas áreas.

Algumas das áreas plantadas com eucalipto viraram plantios de soja em Buriti e Parnarama. Consolidar essa mudança no processo de ocupação oportunista do solo, do eucalipto para soja, é o que pretende a base política do agronegócio no Leste Maranhense.


*Os artigos deste espaçam objetivam estimular o debate dos problemas municipais, estaduais e nacionais, não traduzindo, necessariamente, a opinião do blog.

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