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Mostrando postagens com o rótulo CONVERSAS SOLTAS

CONVERSAS SOLTAS | A Gratidão do Santo e a Compaixão do Pecador

  A Quaresma é período de 40 dias em que cristãos católicos realizam uma preparação para a Páscoa, festa na qual celebramos a Ressurreição de Jesus, o sustentáculo da fé cristã. Participando de um culto evangélico na Assembleia de Deus Restaurando Vidas no Altar, em Buriti/MA, lembrei-me de uma das passagens bíblicas mais doloridas que podem ser lidas: o momento da crucificação de Cristo no Monte Calvário.  A cena, que pode ser lida nos evangelhos, me trouxe uma interpretação um tanto diferente do que já vi em palestras de teólogos, culto de pastores ou leitura de livros religiosos. Cristo é crucificado ladeado por dois criminosos. Ocorre que um deles insultava Jesus enquanto o outro pedia misericórdia e que fosse lembrado no seu Reino.    A interpretação mais comum dada é a necessidade do arrependimento dos pecados, mesmo no leito da morte, algo que muitas vezes não tem nem como saber (apenas supor!), para viver no paraíso divino e que Jesus carregou os pec...

CONVERSAS SOLTAS | Um Hospital e a Força do Chá Que Não Me Fez Anão

O dia nos lares brasileiros geralmente começa pelo café quentinho com pão, às vezes tem leite, o que garante a energia da manhã até que venha a refeição do meio-dia. Assim sempre foi durante minha infância, ressalvando que, em alguns dias, o meu era um pirão gostoso de café preto com farinha seca, digam o que quiserem, mas era isso que me fazia aguentar firme até o almoço. Porém, como desde os 10 anos de idade, passei a cuidar da minha bisavó Maria Rego, a Dindinha, com seus 90 anos, algumas manhãs eram iniciadas não com tradicional café, mas com chás cujos sabores variavam entre camomila e erva-cidreira, o preferido da velinha. Como toda criança que busca descobertas, desde as mais simplórias e bobas, como   “o que acontece se eu engolir   semente de mamão?” , até algumas mais capciosas,   como “se Deus criou tudo, quem criou Deus? ”,   fui atormentado durante um certo tempo por um medo que não se explicava: Eu temia não crescer e ficar anão tipo um amigo meu da R...

CONVERSAS SOLTAS | A passagem do Tempo e a Brevidade da Vida numa Fotografia

Na segunda-feira passada, 19 de janeiro, dediquei o primeiro texto desta coluna para falar de um tempo passado que não mais existe fora da nossa mente, e aqueles que a leram foram impactados pela lembrança de alguma experiência lá relatada ou rememorada a partir dele. De fato, um dos propósitos pelos quais, finalmente, decidi escrever estas conversas soltas é usar o poder das palavras em determinar nossos pensamentos e mostrar que somos o que vivemos no presente e, também, resultado do que experimentamos no passado. Revistando arquivos digitais antigos me deparei com uma foto marcante que ilustra esta crônica, capturada por um modelo de celular da marca Sony, onde a câmera não era ainda embutida no corpo do aparelho, mas um acessório que se acoplava. Senti ali que precisa partilhar e contar alguma coisa, porque a saudade mora mesmo nesses detalhes. Lembro que era prática comum visitar minha antiga vizinhança, em Buriti,   sempre que vinha de férias da capital São Luís, para onde ...

CONVERSAS SOLTAS | Sobre o Tempo, a Amizade e Boa Vizinhança

O tempo da minha infância, em Buriti de Inácia Vaz,  tinha um ritmo diferente: portas abertas, cadeiras nas calçadas e rodas de conversas. As pessoas se conheciam pelo nome, trocavam utensílios e a rotina era partilhada. Ali, na rua do Cemitério,  nos anos 90, eu morava com minha bisavó Maria Rego, a Dindinha, já nonagenária. Cresci cercado por vizinhança que ensinava mais pelo exemplo do que com palavras.  Dona Zezé, ou “Mãezinha”, foi uma dessas vizinhas que me marcou. Vinda da zona rural, construiu sua vida com muito trabalho, dignidade e dedicação à família. Não tinha estudos formais, mas carregava uma sabedoria prática, forjada pela experiência e na ética de quem viveu com responsabilidade, respeito e lealdade aos próprios princípios, algo difícil nos tempos atuais. Na casa dela, eu assisti novelas, como a Vamp, o São Paulo ganhar títulos internacionais e até filmes que me assustaram por muito tempo, como Cemitério Maldito. Mesmo ainda criança...