A Quaresma é período de 40 dias em que cristãos católicos realizam uma preparação para a Páscoa, festa na qual celebramos a Ressurreição de Jesus, o sustentáculo da fé cristã. Participando de um culto evangélico na Assembleia de Deus Restaurando Vidas no Altar, em Buriti/MA, lembrei-me de uma das passagens bíblicas mais doloridas que podem ser lidas: o momento da crucificação de Cristo no Monte Calvário.
A cena, que pode ser lida nos evangelhos, me trouxe uma interpretação um tanto diferente do que já vi em palestras de teólogos, culto de pastores ou leitura de livros religiosos. Cristo é crucificado ladeado por dois criminosos. Ocorre que um deles insultava Jesus enquanto o outro pedia misericórdia e que fosse lembrado no seu Reino.
A interpretação mais comum dada é a necessidade do arrependimento dos pecados, mesmo no leito da morte, algo que muitas vezes não tem nem como saber (apenas supor!), para viver no paraíso divino e que Jesus carregou os pecados da humanidade para a remissão. Nada contra. Porém, dessa situação é possível compreender algo maior: a natureza dual do coração humana e a sua vocação para a empatia, solidariedade, perdão e compaixão.
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| Foto ilustríssima feito por IA |
Enquanto agonizava na cruz, um bandido, portanto, um PECADOR que cumpria sua pena, vendo o sofrimento de Cristo é tomado por uma COMPAIXÃO e profere palavras de consolo que tocam o seu coração humano. Imediatamente, Jesus, que era carnal, totalmente sem pecado, de fato, um SANTO, mesmo diante da injustiça terrena, de ter sido abandonado por muitos que ele ajudou, negado e traído por discípulos, olha para aquele homem com GRATIDÃO imensa e afirma que eles ficariam juntos naquele dia na Glória Divina.
A Bíblia é o livro mais importante para os cristãos pela sua relevância histórica, moral, espiritual e de fé num Deus Soberano. Mas também devemos reconhecer que além dessa crença no divino, podemos encontrar nela exemplos de fé na humanidade, por meio desses exemplos de vivência prática das virtudes humanas como a gratidão do santo e a compaixão do pecador. E mesmo diante de tanta maldade, pode não parecer, ainda existe o amor no mundo e foi por ele que Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou.
ALIANDRO BORGES é professor,
químico, farmacêutico, jornalista e editor do Blog Correio Buritiense. Integra
a Academia Buritiense de Artes, Letras e Ciências (ABALC), da qual foi 1º
presidente (2019-2023), ocupando a Cadeira nº 13, patroneada por José Pereira
Borges. Atua na produção jornalística e na reflexão crítica sobre educação,
cultura, meio ambiente e políticas públicas. Todas as segundas-feiras publica
ensaios, crônicas e contos nesta coluna CONVERSAS SOLTAS, em que
articula memória, cotidiano e análise social.

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