CONTAS DE 2021 DE ARNALDO CARDOSO CHEGAM À CÂMARA E DESFECHO DE JULGAMENTO PODEM REDEFINIR O CENÁRIO POLÍTICO EM BURITI(MA)
O
cenário político de Buriti começa a ganhar novos contornos com a chegada à
Câmara Municipal da prestação de contas do exercício financeiro de 2021 do
ex-prefeito José Arnaldo Araújo Cardoso. O processo, oriundo do Tribunal de
Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), traz parecer prévio do relator pela aprovação
com ressalvas, mas a decisão final, como manda a Constituição, caberá aos
vereadores.
O
voto do conselheiro relator José de Ribamar Caldas Furtado aponta que, embora o
município tenha cumprido os principais limites constitucionais — como os
investimentos mínimos em educação e saúde — houve uma irregularidade relevante:
o excesso de gastos com pessoal, que alcançou 67,42% da Receita Corrente
Líquida, ultrapassando o limite legal de 54% previsto na Lei de
Responsabilidade Fiscal.
Esse
ponto, ainda que tratado pelo Tribunal como uma irregularidade isolada, foi
suficiente para gerar ressalva nas contas. O próprio relatório técnico do TCE
confirma que o gasto com pessoal superou significativamente o teto permitido,
caracterizando descumprimento da legislação fiscal.
Ao
mesmo tempo, os dados mostram que a gestão cumpriu outros indicadores
obrigatórios:
– 30,31%
aplicados na educação, acima do mínimo constitucional de 25%;
– 20,77%
na saúde, superando o mínimo de 15%;
– 72,04%
dos recursos do Fundeb destinados à remuneração dos profissionais da educação,
também dentro do exigido por lei.
Apesar
disso, a história recente da política local indica que o parecer técnico do
Tribunal pode não ser determinante para o julgamento político dos vereadores. Em
2025, a Câmara Municipal de Buriti já protagonizou um episódio semelhante ao
analisar as contas do ex-prefeito Naldo Batista, que também chegaram com
recomendação técnica e acabaram tendo um destino político mais duro: a reprovação
pelos vereadores, resultando em sua inelegibilidade.
Abaixo voto do relator das contas
Nos
bastidores da política buritiense, a avaliação predominante é que o mesmo
roteiro pode se repetir agora. A leitura política feita por interlocutores da
Câmara indica que o ambiente no Legislativo não é favorável ao ex-prefeito
Arnaldo Cardoso, o que pode levar a uma decisão semelhante à aplicada
anteriormente a Naldo Batista.
Se
esse cenário se confirmar, Buriti poderá assistir a um fato raro na política
municipal recente: dois ex-prefeitos tornarem-se inelegíveis em sequência por
decisão da Câmara Municipal, inclusive, sob a mesma presidência do vereador
Cirlando Santos, que vai se tornando cada vez mais empoderado no cenário político.
Esse
eventual desfecho abriria um novo capítulo no tabuleiro político da cidade. Com
duas lideranças tradicionais fora da disputa eleitoral, o espaço tende a se
ampliar para novos nomes e novos projetos políticos vindos da oposição. Entre
os nomes que surgem nesse horizonte estão o Professor Aliandro Borges,
liderança social, cultural e educacional da cidade, do enfermeiro Allyson Borges e a atual vice-prefeita
Ana Lúcia Frazão, os três apontados nos bastidores como possíveis protagonistas de
uma nova fase na política local.
A votação das contas promete, portanto, ir muito além de um procedimento técnico-administrativo. Em Buriti, ela pode se transformar em um divisor de águas político, capaz de redefinir lideranças e reorganizar as forças que disputarão os próximos ciclos eleitorais. A conferir!

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