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CONVERSAS SOLTAS | O Carnaval da Pilombeta ou A Cultura Não Morre, é Abandonada

 


O carnaval é atualmente uma das festas culturais e populares mais importantes e apreciadas do Brasil. Contudo, sabemos que ele não nasceu aqui, foi reinventado entre os séculos XIX e XX,  especialmente com o surgimento das escolas de samba no Rio de Janeiro,  a tal ponto que a maioria de nós nem sabe que em muitas cidades de outros países, como Veneza (Itália), Nice (França) e Ilhas Canárias (Espanha), também tem suas festas animadas.  Na verdade, é uma festa pagã do nosso calendário incorporado  pelo Cristianismo no curso de sua expansão dado a impossibilidade da Igreja de sobrepor sua vontade clerical a manifestações culturais. Acredito que daí existir muita vertente político ideológica que tem aversão à Cultura.

Neste ano de 2026, em Buriti, vivenciamos um dos carnavais mais desanimados da nossa história recente e fazendo análises e reflexões fui transportado pela mente ao Carnaval da Pilombeta, em 1997, quando minha professora Dorys de Jesus e meu pai Prof. José Borges, ambos falecidos, trabalhavam juntos na Secretaria Municipal de Cultural da gestão do ex-prefeito José Machado Vilar. Nem precisa eu dizer que aí sim existia valorização da nossa cultura no seu sentido antropológico; além disso, o poder público garantia as condições materiais para a realização da festa e colocava gente competente para conduzi-la, a cidade pulsava como um verdadeiro organismo cultural vivo.

Original da Pilombeta, sentados, da direita para esquerda:
Profa Dorys de Jesus(secretária de Cultura), meu pai José Borges e ex-prefeito Zé Vilar 

Era uma época na qual tínhamos desfiles de escolas/blocos fantasiados com várias alas nas ruas da cidade, disputas e premiações, finalizando no salão carnavalesco que se transformava o Jardim Mundo Infantil, com foliões dançando marchinhas e outros ritmos  com bandas de sucesso da época, que vinham das cidades vizinhas.  Dessa antiga tradição carnavalesca, ainda tínhamos as festas no Cineteatro, na União Artística, a D’Pop Som, do professor Djalma, a banda da Joana Ferreira, bloco da Zebinha, a Banda Musical do município, Faquinha, Bidô, Zeba, saxofonista Raimundo da Joana, Neto Suzana  e  tantos outros que peço desculpas por não recordar nesta lavra do Conversas Soltas.

    Por que a lembrança imediata ao carnaval de 1997?  Eu ajudei a pintar as faixa com o amigo Lauriel Freitas, desfilei numa ala do bloco que era coordenado pelo meu irmão mais velho Alan Cárter e foi o último ano de vida do pai, que viria a morrer em 15 de outubro, dia do professor.  Curioso, também passei anos encafifado tentando saber o que era essa pilombeta e por que o carnaval foi assim nominado naquele ano, algo que até hoje tenho minhas dúvidas. O certo mesmo é que a cultura não morre, é abandonada.

ALIANDRO BORGES é professor, químico, farmacêutico, jornalista e editor do Blog Correio Buritiense. Integra a Academia Buritiense de Artes, Letras e Ciências (ABALC), da qual foi 1º presidente (2019-2023), ocupando a Cadeira nº 13, patroneada por José Pereira Borges. Atua na produção jornalística e na reflexão crítica sobre educação, cultura, meio ambiente e políticas públicas. Todas as segundas-feiras publica ensaios, crônicas e contos nesta coluna CONVERSAS SOLTAS, em que articula memória, cotidiano e análise social.

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