Pular para o conteúdo principal

JUSTIÇA REJEITA TENTATIVA DA PREFEITURA DE BURITI DE BARRAR PAGAMENTO DO TERÇO DE FÉRIAS E PROFESSORES CONQUISTAM NOVA VITÓRIA JUDICIAL

Os servidores municipais de Buriti, especialmente os profissionais da educação, conquistaram mais um importante avanço na longa batalha judicial pelo pagamento dos quinze dias do terço constitucional de férias. Em decisão proferida nesta terça-feira (12), a Justiça julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Município de Buriti no processo nº 0800498-12.2019.8.10.0077, consolidando mais uma vitória do SINTASP/MB e da FETRAM em defesa dos trabalhadores.

A decisão representa um duro revés para a gestão municipal, que tentava invalidar os cálculos apresentados pela assessoria jurídica do sindicato sob alegações de duplicidade de cobranças e excesso de execução. Todos os argumentos apresentados pelo Município foram rejeitados pelo magistrado.

Com isso, o juiz homologou os cálculos no valor total de R$ 859.497,48, reconhecendo o direito dos servidores ao recebimento dos valores referentes ao terço constitucional de férias.

Além da homologação, a Justiça determinou a expedição de RPV (Requisição de Pequeno Valor), mecanismo que obriga o ente público a efetuar o pagamento dentro do prazo legal após o trânsito em julgado da ação.

Segundo a decisão, após a intimação definitiva, o Município terá o prazo de até dois meses para realizar os pagamentos. Caso contrário, poderá haver bloqueio judicial e sequestro de valores das contas públicas para garantir o cumprimento da sentença.

Em entrevista ao jornalista editor deste CORREIO BURITIENSE, Aliandro Borges, o presidente do SINTASP/MB, professor Joseni, afirmou que a Prefeitura já sofreu sucessivas derrotas no processo ao longo dos últimos anos, inclusive em julgamentos realizados em São Luís.

“Eles perderam uma vez, recorreram, perderam a segunda vez, aí recorreram e perderam três vezes em São Luís. O processo voltou para Buriti porque esgotou todos os recursos lá”, declarou o sindicalista.

Segundo Joseni, o sindicato chegou a tentar uma solução administrativa junto à gestão municipal no ano passado, encaminhando planilhas individualizadas com os valores de cada servidor beneficiado. No entanto, apesar das conversas iniciais, não houve avanço nas negociações.

“O município pediu para a gente mandar uma proposta. Nós mandamos as tabelas com todos os valores individualizados, mas eles ficaram de apresentar uma contraproposta e nunca enviaram”, afirmou.

O presidente do sindicato também explicou que a ação envolve diferenças relativas aos anos de 2014, 2015 e 2016. Conforme ele, a partir de 2017 o Município passou a calcular corretamente o benefício sobre os 45 dias de férias dos professores.

Os valores a serem pagos variam conforme o nível, classe e quantidade de matrículas dos profissionais. Há servidores que devem receber pouco mais de R$ 800, enquanto alguns casos ultrapassam R$ 4 mil por matrícula. Professores com duas matrículas podem alcançar valores próximos de R$ 8 mil.

Joseni ainda demonstrou preocupação com possíveis tentativas de atraso no cumprimento da sentença, embora reconheça que o processo já se encontra praticamente encerrado nas instâncias judiciais.

“Já é uma decisão praticamente final. Porém, a Justiça sempre tem aquelas brechas. Espero que eles não queiram utilizar alguma manobra para atrasar mais alguns meses”, declarou.

A nova decisão reforça um histórico de disputas judiciais envolvendo direitos dos profissionais da educação em Buriti. O caso já vinha sendo acompanhado desde anos anteriores e ganhou repercussão após condenações anteriores favoráveis aos servidores, demonstrando que a luta sindical precisou recorrer repetidamente ao Judiciário para assegurar direitos que deveriam ser garantidos administrativamente.

Na prática, a decisão demonstra mais uma vez a dificuldade enfrentada pelos trabalhadores municipais para terem direitos reconhecidos sem necessidade de longas batalhas judiciais. Mesmo após condenações anteriores, o Município ainda buscou contestar os cálculos apresentados pelo sindicato, o que acabou sendo rejeitado integralmente pela Justiça.

Em nota, o SINTASP/MB afirmou que continuará acompanhando os trâmites finais do processo para garantir que os valores cheguem “o quanto antes ao bolso de cada trabalhador beneficiado”. A entidade também demonstrou preocupação com possíveis manobras protelatórias e destacou a expectativa de que a Prefeitura cumpra a sentença sem novos atrasos.

A decisão é vista por muitos servidores como mais um capítulo de resistência dos profissionais da educação e do funcionalismo municipal, que há anos travam embates administrativos e judiciais em defesa de direitos trabalhistas em Buriti.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

POLÍCIA CIVIL DEFLAGRA OPERAÇÃO E DESARTICULA CÉLULA CRIMINOSA EM BURITI

Ação cumpre 12 mandados de busca domiciliar, três mandados de prisão e resulta em quatro prisões em flagrante A Polícia Civil do Estado do Maranhão, por intermédio da Delegacia de Polícia Civil de Buriti, deflagrou na manhã desta sexta-feira (14) uma operação de grande envergadura para combater a criminalidade no município. A ação resultou no cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão domiciliar, três mandados de prisão preventiva e quatro prisões em flagrante, além da apreensão de armamento pesado, drogas e dinheiro. A operação transcorreu sem incidentes, com total segurança para as equipes Policiais e para a população, evidenciando o planejamento minucioso e a execução técnica que caracterizam o trabalho da instituição. ORIGEM DA OPERAÇÃO A ação da Polícia teve como base o Inquérito Policial nº 27208/2025, que investiga crime de homicídio qualificado ocorrido em outubro deste ano. As investigações identificaram os autores do delito e mapearam a estrutura logística utilizada pelo...

CRISE À VISTA NO PALÁCIO MUNICIPAL: Gestão André Gaúcho registra primeiras quedas no secretariado em Buriti-MA

       A pós um ano e abalos na popularidade, prefeito tenta reestruturar o governo com mudanças nas pastas da Educação e da Saúde Da esq. p/direita: Cleane de Jesus, prefeito André Gaúcho, Jairo Miranda e Rai Pablo - Foto: Arquivo redes socias. Após o primeiro ano da gestão do prefeito André Introvini , popularmente conhecido como André Gaúcho, o governo municipal começa a registrar as primeiras baixas em seu secretariado, em meio a abalos na popularidade da administração. Na área da Educação, deixaram seus cargos a então secretária titular Cleane de Jesus e o secretário adjunto Jairo Miranda . Publicamente, a versão divulgada é de que a saída teria ocorrido de forma consensual. No entanto, o Correio Buritiense apurou junto a fonte governamental que o desligamento estaria relacionado ao decreto municipal de combate ao nepotismo, sendo a saída uma forma de assegurar a permanência de parentes vinculados à pasta. Prefeito de Buriti André Gaúcho, ladeado pela secre...

JUSTIÇA DERRUBA “SUPERPODERES” DO SECRETÁRIO DE GOVERNO DE BURITI E SUSPENDE PORTARIA DE ANDRÉ GAÚCHO

Professor ALIANDRO BORGES já havia alertado para a ilegalidade da medida governamental em sua Live 115 A Justiça concedeu liminar suspendendo integralmente os efeitos da Portaria Municipal nº 030/2026, editada pelo prefeito de Buriti, André Augusto Kerber Introvini, conhecido como André Gaúcho, que havia transferido ao secretário municipal de Governo, Danylo Albuquerque, amplos poderes sobre licitações, contratos e contratações públicas do município. A decisão atende a pedido formulado em Ação Popular e acompanha parecer favorável do Ministério Público. Na prática, a medida judicial derruba aquilo que ficou conhecido nos bastidores políticos,   administrativos e entre populares como os “superpoderes” da Secretaria Municipal de Governo (SEMGOV). A Portaria nº 030/2026 havia delegado ao titular da SEMGOV a condução, fiscalização, supervisão, assinatura e gestão dos atos relacionados aos processos licitatórios e contratos vinculados à Secretaria Municipal de Administração e Finanç...