ORÇAMENTO DE BURITI PARA 2026 É FIXADO EM R$ 184,8 MILHÕES, MAS LOA É PUBLICADA COM ERRO NO ANO DO EXERCÍCIO FINANCEIRO
Lei Orçamentária Anual prevê forte concentração de recursos em Educação e Saúde; publicação repete falhas formais e levanta questionamentos sobre ausência de revisão técnica
A
Prefeitura de Buriti publicou a Lei Municipal nº 773/2025, que institui a Lei
Orçamentária Anual (LOA) para o exercício de 2026, estimando a Receita e
fixando a Despesa do município em R$ 184.835.000,00 (Cento e Oitenta
e Quatro Milhões, Oitocentos e Trinta e Cinco Mil Reais). O texto foi
divulgado no Diário Oficial dos Municípios (FAMEM) e sancionado pelo prefeito André
Augusto Kerber Introvini, popular André Gaúcho.
Apesar
de tratar do orçamento de 2026, a lei apresenta um erro grave de redação, ao
afirmar expressamente, em seu artigo 1º, que o orçamento se refere ao “exercício
de 2025”, quando, na realidade, trata-se da LOA válida para 2026. A
inconsistência chama atenção e não é um fato isolado, reforçando críticas
recorrentes sobre a ausência de revisão técnica e jurídica antes da publicação
de leis estruturantes da administração municipal.
Receita
municipal: dependência de transferências
Segundo
as planilhas anexas à LOA, a previsão de receitas para 2026 evidencia forte dependência
de transferências externas. Do total orçado:
·
Receitas
Correntes somam R$ 185.843.549,00, sendo:
ü
Receita
Tributária: R$ 3.325.000,00
ü
Receita
de Contribuições: R$ 100.000,00
ü
Receita
Patrimonial: R$ 573.000,00
ü
Transferências
Correntes: R$ 181.845.549,00
·
Há
dedução de R$ 9.134.000,00 referentes ao FUNDEB.
·
Receitas
de Capital totalizam R$ 8.125.451,00.
Após
deduções e acréscimos, a Receita Total Geral fecha em R$ 184.835.000,00.
A
despesa pública para 2026 está fortemente concentrada em áreas sociais, com
destaque absoluto para a educação:
· Educação: R$ 99.230.000,00
· Saúde: R$ 35.192.280,00
· Administração: R$ 13.945.280,00
· Assistência Social: R$ 6.415.900,00
· Urbanismo: R$ 5.945.000,00
· Transporte: R$ 4.369.168,87
· Legislativo: R$ 3.600.000,00
· Cultura: R$ 2.600.071,13
· Reserva de Contingência: R$ 1.500.000,00
Outras funções como saneamento, agricultura, meio ambiente, energia, habitação, esporte e lazer aparecem com valores significativamente menores, revelando as prioridades definidas pelo governo municipal para o exercício de 2026.

Despesas
correntes e de capital
Na
classificação por categoria econômica, a LOA aponta:
·
Despesas
Correntes: R$ 150.620.746,12
ü
Pessoal
e Encargos Sociais: R$ 89.959.680,00
ü
Outras
Despesas Correntes: R$ 60.611.066,12
·
Despesas
de Capital: R$ 32.714.253,88
ü
Investimentos:
R$ 29.114.253,88
ü
Amortização
da Dívida: R$ 3.600.000,00
·
Reserva
de Contingência: R$ 1.500.000,00
Os
números mostram que quase metade do orçamento está comprometida com gastos de
pessoal, o que reduz a margem de manobra para investimentos estruturantes.
Orçamento
institucional e fundos
A
lei também detalha a execução orçamentária por órgãos e fundos, com destaque
para:
· FUNDEB: R$
85.000.000,00
· Fundo Municipal de
Saúde (FMS): R$ 35.137.280,00
·Secretaria Municipal de
Administração e Finanças: R$ 17.580.000,00
· Secretaria Municipal de
Infraestrutura: R$ 11.146.368,87
· Secretaria Municipal de
Educação: R$ 14.230.000,00
· Fundo Municipal de
Assistência Social: R$ 3.540.500,00
A
soma consolida o montante global de R$ 184,8 milhões, conforme fixado na lei.
Outro
ponto que chama atenção é a autorização concedida ao Executivo para abrir créditos
suplementares de até 80% do total da despesa fixada, percentual elevado, pois
amplia sobremaneira a possibilidade de remanejamentos orçamentários ao longo do
exercício, com impacto direto sobre o planejamento aprovado pelo Legislativo.
Erros
recorrentes e falta de revisão
O
erro explícito quanto ao ano do exercício financeiro — apontando 2025 em uma
lei que disciplina o orçamento de 2026 — compromete a qualidade formal do texto
legal e reforça a percepção de que leis estratégicas estão sendo publicadas sem
revisão adequada. Não se trata de uma falha meramente estética, mas de um
problema que pode gerar questionamentos jurídicos e administrativos, além de
fragilizar a transparência e a credibilidade do processo orçamentário.
A
Lei Orçamentária Anual deveria ser o documento mais preciso e tecnicamente
revisado da administração pública, justamente por tratar do uso de quase R$ 185
milhões em recursos públicos. A reincidência de erros levanta dúvidas sobre os
fluxos internos de elaboração, conferência e publicação das normas municipais.
A
LOA 2026 entra em vigor em 1º de janeiro de 2026, revogadas as disposições em
contrário, mas já nasce sob o signo da necessidade de correção e maior rigor
técnico, especialmente em um contexto de cobrança crescente por
responsabilidade fiscal e transparência na gestão dos recursos públicos.

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