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Coluna MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS - FLORES DE PEQUI E DE TODO MUNDO PARA O JÔ


FLORES DE PEQUI E DE TODO MUNDO PARA O JÔ

*Por Francisco Carlos Machado

A primavera no cerrado da Terra Indígena Krikati neste 2022 começou cedo, já no limiar de agosto. No leste do Maranhão, na Unidade de Conservação APA dos Morros Garapenses, observo o desabrochar da primavera com o florir dos ipês, destacando o amarelo. Na Terra Indígena, especificamente, na aldeia Jerusalém, bem no meio dela, há uns cincos dias, me chamou atenção as flores de dois pés de pequi, caídas no chão de areia marrom. “Ah, os pequis estão chegando”! Deliciei–me no pensamento, encantado pela beleza sutil das pétalas das flores caídas, olhando também as flores dos galhos, resplandecentes pelo sol durante toda manhã e tarde.

Quando criança, entre os 9 e 11 anos, no Garapa, ao ver pessoas da minha cidade subindo caminhões para buscar pequi e bacuri nas Chapada do Buriti, sentia muita vontade de ir, mas minha mãe nunca deixava. Assim, alimentei um sonho extrativista de catar pequi na chapada. Algo que adulto poderia ter realizado, porém, nunca tomei a iniciativa, mesmo que nestes tempos os pequizeiros têm sido destruídos.

Para minha supressa, muito anos depois, em 2014, quando comecei a viajar constantemente para o território dos Krikati – inicialmente estudando sua língua e fortalecendo o contato – especificamente na aldeia de Jerusalém, Sitio Novo (MA), encontro num final do ano um pé abundante de pequi. Era noite, catei uns 30, cozinhei, comendo todos. Na madrugada, corri algumas vezes na matinha detrás da casa onde estava hospedado para as necessidades fisiológicas, pela diarreia sentida, devido excesso de cordura vegetal do fruto no estômago. Os meus anfitriões indígenas, nada disseram ao me verem saboreando tantos pequis, imaginando que tinha costume de os consumir muito, ainda salgados. No cardápio deles pequi é feito no açúcar, haviam me dito, diante da minha alegria expressada de catar no pé pequi, cozinhar e comer pela primeira vez na vida.

Aprendendo a medida certa do tanto que posso comer esse fruto símbolo do cerrado, das experiências de os catar nos pés no pátio da aldeia Jerusalém e também ao derredor dela, nunca mais isso sucedeu. Assim, a alegria desta semana era ver as flores amarelas claras no chão.

Então, na manhã da sexta, 5 de agosto, ao sair da labuta da Biblioteca da escola da aldeia, ao abrir o whatsapp da Associação dos Amigos de Buriti, recebi a triste notícia da morte do Jô Soares, no qual desde a adolescência sou fã. Ao ler a notícia no sítio, lágrimas brotaram nos olhos, sentindo a partida de Jô. Voltei pra casa, passei debaixo do pé de pequi, vendo muitas flores no chão. Eu que pensava em escrever sobre a alegria de ver flores de pequi, não sentia mais ela nos olhos e nem na alma.

Jô havia partido.

Escrevi no grupo digital dos amigos de Buriti:

- “Não acredito! O Jô!!!? Perdemos um brasileiro fantástico. Agora está alegre os Céus.”

O dia inteiro de sexta meus pensamentos se voltavam para o Jô, pois tudo no Brasil se noticiava seu falecimento aos 84 anos. Todos, como eu, que esperavam às 12 horas da noite para só dormir depois de sorrir do Jô com seus entrevistados em seu Programa, sentem comigo o que é perder Jô. De fato, o Brasil humano ficou menor, mais triste, sem Jô Soares. Assisti ao Jornal Nacional da sexta 5 e chorei a morte de Jô.

Na manhã deste sábado, ao caminhar ao centro do pátio da aldeia, vendo as flores do pé de pequi juntei nas mãos algumas delas, tirei foto e as soltei no ar, ofertando–as para o Jô, em sua homenagem, que não merece só flores de pequi, mas do bacuri, de rosas e violetas.

Ele merece todas as flores do mundo pela felicidade que em vida distribui para humanidade do Brasil.

SOBRE O AUTOR

Francisco Carlos Machado - Escritor, poeta, professor, titular da cadeira nº 20 da Academia Buritiense de Artes Letras e Ciências (ABALC).

Comentários

  1. Deixa ver se eu intendo, o Arnaldo tirou o Júnior FRAZÃO da secretaria de obras pq tá apoiando o cunhado da esposa Ana Lúcia e de colocar um amigo não tá oferecendo para o GARDER que torcia pela derrota dele, vai intender esse prefeito no inferno

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    Respostas
    1. Amigo é uma falta de respeito e também inacreditável o que tá acontecendo em Buriti o prefeito parece tá doido ou enojado todo seu grupo como é que o cara deixa de colocar um aliado na vaga do seu júnior FRAZÃO vai colocar um cara que detonava ele só de velhaco e liso, Arnaldo amigo coloca um amigo rapaz e deixa esse Garder de fora SWIOR

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    2. O Junior Frazão, sua Ex 1a Dama e FUTURA prefeita estão pensando que o MP não vai querer quebrar o sigilo bancario do Ex Adjunto, sobre aquel

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  2. Eu quero saber qdo quebrarem o sigilo bancário de um artista quero vê como vai explicar altos valores em dinheiro da venda de uma casa e brigou pra não entregar

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