PRECATÓRIOS DO FUNDEF: Presidente do SINTASP/MB rebate críticas do prefeito de Buriti e reforça defesa do rateio integral para professores
O debate sobre a
destinação dos recursos dos precatórios do antigo FUNDEF ganhou um novo
capítulo nesta tarde de segunda-feira 15/6, em Buriti/MA. Em vídeo divulgado
nas redes sociais, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço
Público Municipal de Buriti (SINTASP/MB), professor Joseni, respondeu às
declarações feitas pelo prefeito André Gaúcho durante audiência pública
promovida pela Prefeitura, na manhã de hoje, para discutir a aplicação dos recursos.
Na manifestação,
Joseni afirmou que não participou da audiência por não ter recebido convite
formal em nome da entidade sindical. Segundo ele, o sindicato adota como
procedimento institucional participar de eventos oficiais apenas quando
formalmente convocado.
O dirigente sindical
também voltou a defender a tese que vem sendo sustentada pelo SINTASP na
Justiça sobre a forma correta de distribuição dos recursos. De acordo com
Joseni, a primeira parcela recebida pelo município soma cerca de R$ 21,6
milhões, e o entendimento do sindicato é que os 60% destinados aos
profissionais da educação devem incidir sobre o valor total transferido ao
município, incluindo principal e juros.
Segundo os cálculos
apresentados pelo presidente da entidade, essa interpretação resultaria em
aproximadamente R$ 12,9 milhões para rateio entre os profissionais que atuaram
no período de abril de 2003 a dezembro de 2006, enquanto os cerca de R$ 8,6
milhões restantes permaneceriam sob gestão do município para investimentos na
educação. Porém, com a interpretação da gestão André Gaúcho, que pretende abocanhar, além dos 40%, os juros dos precatórios da parte dos professores, o total a ser rateado aos profissionais do magistério cai bruscamente, pois, do total de R$ 21,6 milhões, o valor principal corresponde a somente R$ 8,9 milhões e, segundo a proposta da gestão, aprovada pela Câmara, e apelidada entre os professores de "lei do calote dos juros", excluídos os 40% do município em cima do principal, o que corresponde a R$ 3,59 milhões, apenas R$ 5,9 milhões ficarão para ratear entre os professores nessa 1ª parcela, ou seja, menos da metade se fosse considerado o montante e não apenas o principal.
Joseni argumenta que a
Prefeitura defende uma metodologia diferente, considerando os juros como
recursos exclusivos do município e realizando o cálculo dos 60% apenas sobre o
valor principal da decisão da Justiça Federal (TRF1) que condenou a União ao pagamento dos precatórios de Buriti. Na avaliação do sindicato, essa interpretação
reduziria significativamente os valores destinados aos profissionais da
educação.
Durante o vídeo, o presidente do SINTASP destacou ainda que o Ministério Público Estadual passou a integrar o debate judicial e ajuizou ação sobre o tema, sustentando entendimento semelhante ao defendido pela entidade sindical. Com isso, o sindicato afirma estar confiante de que a questão será decidida pelo Poder Judiciário com base na legislação federal e nos precedentes já existentes sobre a matéria.
Presidente do Sintasp/MB contesta fala
do prefeito sobre o terço de férias
Além dos precatórios,
o presidente do sindicato respondeu a declarações do prefeito André Gaúcho relacionadas
ao pagamento dos 15 dias do terço de férias dos servidores da educação.
Durante a audiência, o
prefeito afirmou que encaminhou cinco
propostas ao sindicato para solucionar a questão. O dirigente sindical
contestou a informação e afirmou que tais propostas nunca chegaram oficialmente
à entidade.
De acordo com o
presidente do SINTASP, a única proposta apresentada pela gestão municipal
ocorreu de forma verbal, durante reunião realizada em 2025, e consistia na
retirada dos juros do valor devido aos servidores. Segundo ele, a proposta foi
submetida à Assembleia Geral da categoria e rejeitada por unanimidade.
Joseni afirmou ainda
que, após a deliberação dos professores, solicitou formalmente que o município
apresentasse novas propostas por escrito, incluindo possibilidades de
parcelamento. Segundo o sindicalista, apesar das cobranças realizadas
posteriormente, nenhum documento oficial teria sido encaminhado ao sindicato.
Ao final do vídeo, o
presidente lançou um desafio público à administração municipal, afirmando que,
caso existam as cinco propostas mencionadas pelo prefeito, elas sejam
apresentadas para conhecimento da categoria e da população.
Enquanto isso, a
disputa em torno dos precatórios do FUNDEF segue agora no campo judicial. A
expectativa é que a Justiça defina nos próximos dias qual interpretação deverá
prevalecer sobre a divisão dos recursos milionários recebidos pelo município.
Confira a íntegra do vídeo abaixo
Nota pública reforça confiança na
Justiça
Também nesta
segunda-feira, o SINTASP divulgou uma NOTA PÚBLICA (íntegra abaixo) reafirmando
sua posição institucional sobre o caso. No documento, a entidade destaca que
não pretende entrar em confrontos políticos ou institucionais em razão das
discussões ocorridas durante a audiência pública.
A nota afirma que a
controvérsia será resolvida pelas vias judiciais e registra confiança na
atuação do Poder Judiciário. O sindicato também ressalta que considera o
Ministério Público um importante aliado na defesa do rateio dos recursos,
incluindo principal e juros, aos profissionais que possuem direito ao
benefício.
Outro ponto abordado
pela entidade foi a suspensão de atividades escolares para possibilitar maior
participação na audiência pública. O sindicato lamentou a interrupção das aulas
e defendeu que discussões sobre tema tão relevante ocorram sem prejuízos ao
calendário educacional.
Ao final do documento,
o SINTASP reafirma sua disposição para o diálogo institucional e informa que
continuará atuando na defesa dos direitos da categoria por meios legais e
democráticos.


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