Durante meus
estudos de mestrado, em 2025, tive a
oportunidade de conhecer as narrativas
como uma método de abordagem na educação. Elas funcionam centradas em
memórias, vivencias pessoais e sentimentos. São relatos da experiência humana trazidos
à reflexão no presente, lembrando que o doutor em pedagogia Jorge Larrosa dizia
que nem tudo que acontece, que ocorre, é, necessariamente, uma experiência, somente
aquilo que nos acontece, nos toca, o que nos passa.
A partir daí não foi difícil entender o porquê dessa
abordagem ser tão peculiar aos escritos poéticos. A poesia nada mais é que um narrar
de si mesmo, da sua experiencia, ainda que o poeta fale de terceiros, é sempre
situações que lhe tocam, lhe sensibilizam.
Dei um pulo no meu memorial acadêmico, texto autobiográfico em prosa, e produzi o poema que segue, onde narro essa minha transmudação da experiência vivida para experiência compreendida:
SONETO AUTOBIOGRÁFICO
Buriti me pariu na luz
poeirenta de 1980,
filho do mestre-poeta José Borges,
da mãe Graça que tece a luta no tecido amado,
e dos avós cujo afeto o chão sustenta.
Aos quinze, fui
lançado à vida lenta
das periferias, fome e sonho lado a lado;
no Liceu, mar bravio, fui sendo forjado,
e em São Luís cresceu minha alma atenta.
Da UEMA trouxe o mel
que a tiúba ensina,
da UFMA, extratos que a ciência ilumina;
nas escolas estaduais, sou professor que aflora.
E, mesmo quando o
racismo me cercava,
ergui Blog, Academia, voz que não se dobra:
negro que escreve a história e sempre a aprimora.
ALIANDRO BORGES é professor,
químico, farmacêutico, jornalista e editor do Blog Correio Buritiense. Integra
a Academia Buritiense de Artes, Letras e Ciências (ABALC), da qual foi 1º
presidente (2019-2023), ocupando a Cadeira nº 13, patroneada por José Pereira
Borges. Atua na produção jornalística e na reflexão crítica sobre educação,
cultura, meio ambiente e políticas públicas. Todas as segundas-feiras publica
ensaios, crônicas e contos nesta coluna CONVERSAS SOLTAS, em que
articula memória, cotidiano e análise social.


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