A vida é feita de escolhas. Todos os dias,
consciente ou inconscientemente, tomados
decisões que nos afetam e reverberam em nosso em torno. Mais do que isso, como nos ensina a filosófica
ciência quântica, mesmo num mundo de múltiplos universos coexistentes, antes de
fazer uma escolha, quando, por exemplo, jogamos uma moeda dentro de uma caixa
escura, ela assume todas as possibilidades (ou “estados”) possíveis, ou seja, simultaneamente,
dentro da caixa, estará no estado de cara e de coroa. Porém, ao fazer uma
escolha, tornando-nos o que no mundo quântico chamamos de observador, apenas uma
posição passa a existir e todas as outras colapsam. E isso tem consequências.
Voltemos
ao mundo clássico! Durante toda nossa existência, do nascimento à morte, vamos
nos deparando com escolhas que nem sempre são fáceis: isso acontece no amor, no
trabalho, na família, na igreja e na política. Fazendo consciente ou não sua opção, sempre haverá efeitos que precisarão ser encarados. E é bom que sejam daquilo
que você escolheu, porque se não houver entrega num batalha não há como vencer,
não há transformação de vidas nem do
mundo.
Quando
tratamos da fé, por exemplo, penso que ela não pode se basear apenas nas coisas
que vemos, mas deve ser também consequência das escolhas que fazemos
diariamente. A Bíblia está recheada de exemplos assim: Abraão decidiu partir em
busca da Terra prometida; Pedro andou sobre as águas e o caso do centurião que
confiou no poder da palavra de Cristo. Ou seja, a verdadeira fé nasce de uma escolha
humana em persistir na busca de um resultado desconhecido, mas crido.
O
mesmo se dá na política quando o caminho escolhido reflete a fortaleza da
pessoa para enfrentar adversidades, adversários hostis, percalços, espinhos e a
capacidade de resistir até a vitória do projeto no qual ela acredita. É assim, aliás, que conclamo para que não desanimemos
da política local, porque o estado em que ela está hoje é consequência daquilo
que já escolhemos no passado. Agora, se desejamos experimentar novos frutos da
clássica escolha eleitoral, precisamos ter coragem de acreditar e de fazer novas escolhas.
ALIANDRO BORGES é professor, químico, farmacêutico, jornalista e editor do Blog Correio Buritiense. Integra a Academia Buritiense de Artes, Letras e Ciências (ABALC), da qual foi 1º presidente (2019-2023), ocupando a Cadeira nº 13, patroneada pelo escritor José Pereira Borges. Atua na produção jornalística e na reflexão crítica sobre educação, cultura, meio ambiente e políticas públicas. Todas as segundas-feiras publica ensaios, crônicas e contos nesta coluna CONVERSAS SOLTAS, em que articula memória, cotidiano e análise social.

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