BURITI É DESTAQUE EM REPORTAGEM NACIONAL DA FOLHA DE SÃO PAULO: Luz enfim chega a escola do MA, mas ventilador e geladeira ainda são sonhos
A escola Inocêncio Garcês Machado é municipal e fica no povoado Brejinho.
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Comunidade escolar reunida para inauguração da energia elétrica. |
Reportagem deste domingo 26 da
Folha de São Paulo traz um destaque nos entraves na educação em Buriti (MA).
Confira abaixo.
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Patrícia Maria levando os três filhos para escola rural Gedeão Ribeiro. |
O último dia 10 de
agosto foi de celebração na escola municipal Inocêncio Garcês Machado, zona rural de Buriti (MA), a 332 km de
São Luís. Parte dos alunos, familiares, o único professor dali (que ainda não
se formou em um curso a distância) e a própria secretária de Educação se
reuniram na unidade, no povoado de Brejinho, a 25 minutos de carro do centro
por uma estrada de terra e pedras.
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Escola municipal Inocêncio Garcês Machado, zona rural de Buriti(MA). |
Depois de quase 20 anos de
funcionamento, chegou a energia elétrica na escola.
Agora será possível colocar ali
um valioso ventilador e uma geladeira para a merenda (que era trazida de moto
pelo professor). O som de um alto-falante já pôde ser ouvido naquela manhã
quente do interior maranhense.
A escola é
uma das 67 unidades municipais de Buriti, onde estudam 10.366 alunos (20% na educação
para jovens e adultos). A maioria das escolas, 58, é rural. Essa era a única
que não tinha energia, mas ela compartilha outras muitas carências com
praticamente todas.
Nenhuma
escola da cidade tem biblioteca ou laboratório. Por falta de salas, ou professores,
todas as escolas rurais colocam na mesma sala alunos de séries diferentes.
"O recurso pedagógico aqui é só falar", diz a professora de português Maria
de Jesus, 42. Não raro, professores pagam do bolso a compra materiais.
A agricultora
Maria Gonçalves, 56, vive a poucos minutos da escola que recebeu luz. A sua
casa com paredes de barro e madeira permanece às escuras.
As duas netas
de Maria (Taíla, 2, e Osllen, 5) estudam na escola vizinha, que atende só da
educação infantil ao 5º ano. O que também é comum nas escolas rurais e
representa um desafio: quem avança nas séries, tem que se deslocar até o
centro. "Aqui o mais difícil é
a água, que tem que buscar, e para minha filha, ir para escola", diz.
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Alunas durante a inauguração da rede elétrica. |
Maria de
Fátima, 16, acorda às 4h30 e ajuda na roça antes de iniciar o trajeto de uma
hora a pé entre a casa e a estrada de terra onde passa o ônibus escolar. Depois
são 20 minutos até a cidade. "Quero
continuar a estudar, mas penso em desistir todos os dias", diz ela, no
1º ano do ensino médio.
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Buriti dispõe apenas de R$ 246,66 por mês por aluno para todas as contas da educação. |
Com 28.306 habitantes,
Buriti tem o menor orçamento de educação per capita do país, praticamente
todo vindo Fundeb.
Segundo dados de 2015, eram R$ 2.911,94 no ano.
A secretária
de Educação, Rosinalva Cardoso, não esconde as dificuldades. "Temos muitos alunos não alfabetizados
no 6º ou 7º ano", diz. Dos 189 estudantes do 9º ano que fizeram a
última avaliação federal, só 4 (2%) tinham o aprendizado adequado em
matemática. É a metade do apurado no estado do Maranhão (no Brasil esse índice
é de 13%).
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Secretária de Educação, Rosinalva Cardoso, durante inauguração da rede elétrica da escola. |
"Eu me sinto frustrada porque a maioria das
coisas que queria fazer não consigo", completa a secretária.
As escolas
funcionam em turnos de quatro horas. Desde a volta às aulas até meados de
agosto não havia merenda porque, segundo a secretária, o automóvel que
distribui os alimentos estava quebrado.
Presidente da
Undime (que agrega os secretários municipais de educação), Alessio Costa Lima
reforça que a situação dos municípios é bastante crítica. "Muitos estão em colapso, recursos não são suficientes para pagar
a folha", diz.
Pela média, o
gasto anual por aluno no Brasil passa de R$ 6.000. Mas só em 11% dos municípios
isso é uma realidade. O restante tem bem menos que isso. Das 5.570 cidades
do país, 62% (3.199) têm disponíveis menos de R$ 400 por mês por aluno.
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Professores da Rede Municipal em Formação nos dias 9 e 10 de agosto. |
Nas
discussões sobre a revisão do Fundeb, tem ganhado força a necessidade de
organizar a distribuição dos recursos a partir da realidade dos municípios
(hoje, todas as cidades de um estado recebem o mesmo valor). O Fundeb
reúne impostos de estados e municípios e uma complementação da União.
O modelo
atual vence em 2020 e há dois projetos em trâmite no Congresso. Estão em
discussão alterações que podem ampliar em até cinco vezes os investimentos da
União e a melhoria dos critérios de distribuição –o que privilegiaria
municípios mais pobres.
INEFICIENTE EM EDUCAÇÃO
O Maranhão
foi considerado ineficiente na gestão de recursos para fornecer serviços de
saúde, segurança, infraestrutura e, principalmente, educação à sua população,
de acordo com o REE-F (Ranking
de Eficiência dos Estados),
da Folha.
O estado
nordestino figura na 14ª
posição entre os 26 estados, com índice de 0,386 —quanto mais
distante de 1, menos eficiente é o estado.
No quesito
educação, o Maranhão obteve 0,283 no ranking, o que ajudou a puxar para baixo o
desempenho
do estado.
ENTENDA O QUE PODE MUDAR NO FUNDEB
Repasse
da União
COMO
É: União complementa o Fundeb (Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da
Educação) com no mínimo 10% do valor do fundo arrecadado por estados e
municípios
O QUE PROPÕE
O CONGRESSO: Projeto na Câmara defende mínimo de 30%, enquanto proposta do
Senado quer no mínimo 50%
OUTRAS
PROPOSTAS: Especialistas concordam que é preciso aumentar o percentual de
contribuição da União, mas não há unanimidade sobre o valor a ser definido
Distribuição
entre estados e municípios
COMO
É: O MEC define um valor mínimo anual por aluno a partir da arrecadação de
impostos e do número de matrículas. Os estados que não arrecadam o suficiente
para atingir esse valor recebem a complementação da União. Os recursos são
divididos por meio de fundos estaduais e depois repassados para os municípios
levando em consideração o número de estudantes em cada etapa e modalidade
(creche custa mais que ensino fundamental, por exemplo)
O QUE PROPÕE
O CONGRESSO: Para projeto da Câmara, ponderação dos recursos deve levar em
conta modalidade de ensino, nível socioeconômico dos alunos e
o CAQ (Custo Aluno-Qualidade, um indicador que especifica quanto
é preciso investir por aluno para garantir condições mínimas de qualidade). Projeto
do Senado cita apenas o CAQ e a etapa de ensino
OUTRAS
PROPOSTAS: O Movimento Todos Pela Educação e a Confederação Nacional de
Municípios, por exemplo, propõem um modelo de repasse que combine fatores de
ponderação das matrículas por etapa, indicadores socioeconômicos e indicadores
fiscais dos municípios
Custo
Aluno Qualidade
COMO É: O
Custo Aluno-Qualidade é um indicador, ainda não
implementado, que especifica quanto é preciso investir por aluno
para garantir uma educação de qualidade para todos. O PNE (Plano
Nacional de Educação) prevê que seja usado como parâmetro para o
financiamento da educação básica, sobretudo para aumentar o protagonismo da
União na transferência de recursos. Ele não é mencionado no
atual Fundeb e ainda não há uma regulamentação que defina que
critérios devem ser levados em conta no cálculo do índice
O QUE PROPÕE
O CONGRESSO: As duas proposta afirmam que o CAQ deve ser levado em
conta na hora dos repasses, mas não especificam de que forma
OUTRAS
PROPOSTAS: Movimentos em defesa da educação pública afirmam que
o CAQ é importante para reduzir as desigualdades entre as redes do
país, mas há disputas sobre que fatores devem ser usados para calcular o
índice. Há também o entendimento de que o Fundeb representa apenas
parte do financiamento da educação básica e a inclusão do CAQ no
dispositivo seria inadequada
Pagamento
de professores
COMO É HOJE: No
mínimo 60% do valor recebido por estados e municípios deve ser usado para pagar
professores
O QUE PROPÕE
O CONGRESSO: Projeto na Câmara quer que no mínimo 70% do valor recebido seja
usado para pagar profissionais da educação (não só professores), enquanto o do
Senado pede 60% para profissionais do magistério. Nos dois, quem não tiver
condições de arcar com o piso nacional receberá auxílio da União
Entre as 27
unidades da federação, o Maranhão ocupa o 14º lugar no Ranking
de Eficiência dos Estados - Folha (REE-F). Confira a situação de
outros estados.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirDestaque mais de profunda miséria, isso sim.
ResponderExcluirma rô debochi kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirGoverno 65 tá tirando tudo q é do povo.
ResponderExcluirMas o povo vai tirar deles,tudo q eles nos tiraram.
ResponderExcluirEspero que ele pegue uma ovada.
ResponderExcluirVou melhorar a Educação
ResponderExcluirKkkkk
ResponderExcluirVi a reportagem,li na revista veja também, e foi triste pra mim ver o lugar onde nasci e me criei ser visto com deboche. Esta escrito assim; " O recurso pedagógico aqui é só falar". ( Maria de Jesus, professora de português de Buriti)
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