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Coluna SEXTA DE NARRATIVAS - REVENDO E VIVENDO A HISTÓRIA DE UM SONHO


No mês de Junho de 1988, eu adquiri por compra uma área de terras no Povoado VILA JOTA LIMA, localizado na cidade de São José de Ribamar, da ASSOCIAÇÃO DE MORADORES do aludido bairro, inicialmente para cumprir uma promessa feita a um amigo meu, ex-morador da propriedade de meu Pai em LARANJEIRAS, município de Buriti-MA, que além de amigo leal era meu Compadre de Fogueira e exatamente a de São João, embora segundo o Juramento fosse ritualisticamente assim: São João disse e São Pedro confirmou que seremos compadres, pois Jesus Cristo mandou.

Ele já era um senhor Casado com uma família composta da esposa e dois filhos, o garoto, mais velho do que eu, cognominado(apelidado) de CABUQUIM e a Maria, com a minha idade, com quem dancei muito enquanto crianças nas festas animadas pelos Sanfoneiros Zeca Maia, Cudado, Conde Benício e até do seu ZÉ AMÂNCIO, com sua sanfona de Oito Baixos, que ele chamava de MIN-A MÔNRICA. Para nós, os dançarinos não faziam diferença alguma, era delicioso ouvir os elogios dos nossos pais e dos amigos com aqueles gritos de "Eita Mininos danados de dançadores”!

Meu compadre Luís foi embora de Laranjeiras com a Família e nos despedimos chorando.

Passaram-se muitos anos, eu já advogado profissional, também casado, pai de duas filhas, quando numa manhã de verão às sete horas matinais tocaram a campainha da minha casa e eu fui atender. Que surpresa ao abrir a portinhola do portão e constatar que era ele, já bem idoso!

Quando eu disse, compadre Luís Mascenaaa, ele  gritou com lágrimas nos olhos e a voz embargada: OH, meu Cumpadim Djalma, Rocê mi cun-inceeu? Nos abraçamos e eu pedi que ele entrasse. Servi-lhe um copo com água e depois iniciamos a nossa conversa de reencontro, quando perguntei-lhe onde ele estava morando. Respondeu-me que estava muito agoniado pois o seu filho CABUQUIM estava preso e ele me procurou para ajudá-lo. Averiguei o motivo da prisão e onde o seu filho estaria preso, qual o crime e o acalmei, passando a examinar   o caso. Ele enxugou o rosto na sua camisa e disse que o crime era Invasão de terras sem donos e o filho estava preso na Delegacia de Polícia Civil do Maiobão. Acalmei-o e passei a esclarecer.

Invasão de terras devolutas sem posse, não é crime e a prisão do seu filho é ilegal, eu vou agora com você até à Delegacia. Ele tentou se ajoelhar e eu o segurei pelo braço e disse-lhe, eu sou seu compadre e seu amigo. Fomos ao distrito policial indicado e saímos de lá com o CABUQUIM livre. Ele agradeceu e tentou se despedir. Eu disse, eu vou levar vocês em sua casa, quero conhecer seu endereço.

Quando adentramos à casa dele, ele voltou a chorar e informou que iria embora para o interior. Novamente intervi na conversa e perguntei: - meu compadre, se eu comprar uma área de terras para você tomar conta dela você fica? Ele parou de chorar e sorriu dizendo NUN RÔ NÃO, meu compadre e num lhe largo mais é NUNCAAAA.  Fomos à sede da UNIÃO DE MORADORES e eu comprei uma área de 30m de frente por 54m de fundos ao lado do terreno dele. Mandei cercar de arame farpado as duas áreas.

Com o passar do tempo adquiri mais três lotes que somados perfazem uma área total de 5.564 metros quadrados onde construí o atual SÍTIO LARANJEIRAS e a minha Casa na qual moro desde 2004, realizando um dos meus grandes Sonhos e registrando um capítulo importantíssimo da minha História e neste momento estou a escrever este texto, sob o abrigo das árvores que plantel junto com a minha família e onde me deleito, sempre agradecido ao Senhor nosso DEUS, REVENDO E VIVENDO UM SONHO.


Comentários

  1. Em junho de 1988, adquiri por compra uma área de terras no Povoado Vila Jota Lima, situado na cidade de São José de Ribamar. A compra foi feita à Associação de Moradores do referido bairro.

    Meu objetivo inicial era honrar uma promessa feita a um amigo, ex-morador da propriedade de meu pai em Laranjeiras, município de Buriti-MA. Mais do que um amigo leal, ele era meu compadre de fogueira, especialmente da fogueira de São João. Conforme o juramento ritualístico da época, dizia-se: "São João disse e São Pedro confirmou que seremos compadres, pois Jesus Cristo mandou."

    Era um senhor já de idade, casado e com uma família composta por sua esposa e dois filhos. O primogênito, mais velho que eu, era apelidado de Cabuquim, e a caçula, Maria, tinha a minha idade. Nas festas animadas pelos sanfoneiros Zeca Maia, Cudado, Conde Benício e até do Seu Zé Amâncio, com sua sanfona de oito baixos que ele chamava de "Min-a Mônira", dançávamos muito juntos, Maria e eu. Para nós, pequenos dançarinos, os músicos não faziam diferença: o mais importante era ouvir os elogios dos nossos pais e amigos, com seus gritos de "Eita, mininos danados de dançadores!".

    Meu compadre Luís, junto com sua família, mudou-se de Laranjeiras. Despedimo-nos com lágrimas nos olhos.

    Anos se passaram. Já era um advogado experiente, casado e pai de duas filhas, quando, em uma manhã de verão, às sete horas, a campainha da minha casa tocou. Ao abrir a portinhola, fiquei surpreso ao ver que era ele, já bastante idoso.

    Quando mencionei seu nome, compadre Luís Mascenaaa, ele irrompeu em lágrimas, a voz embargada pela emoção: "Oh, meu Cumpadim Djalma, Rocê mi cun-inceeu??" Nos abraçamos calorosamente e o convidei para entrar. Sirvi-lhe um copo d'água e, após a breve pausa para nos recompormos, iniciamos a conversa de reencontro. Perguntei-lhe sobre seu paradeiro atual, ao que ele me respondeu, tomado pela angústia, que seu filho, Cabuquim, estava preso e buscava minha ajuda.

    Averiguei com ele o motivo da prisão, o local de detenção, o crime cometido e, buscando acalmá-lo, iniciei a análise do caso. Enxugando as lágrimas na camisa, ele me informou que o crime era invasão de terras desocupadas e que seu filho se encontrava preso na Delegacia de Polícia Civil do Maiobão. Tranquilizei-o e me prontifiquei a esclarecer a situação.

    Ocupar terras devolutas sem autorização legal não configura crime, e a prisão do seu filho é ilegal. Vou acompanhá-lo até a delegacia agora mesmo. Ao tentar se ajoelhar, segurei-o pelo braço e disse: "Sou seu compadre e amigo." Seguimos para o distrito policial indicado e saímos de lá com CABUQUIM livre. Ele agradeceu e tentou se despedir, mas eu disse: "Vou levá-los para casa. Quero saber seu endereço."
    Ao entrarmos em sua casa, ele voltou a chorar e disse que partiria para o interior. Novamente intercedi na conversa e perguntei: "Compadre, se eu comprar uma área de terra para você cuidar, você fica?" Ele cessou o choro, sorriu e disse: "NUN RÔ NÃO, meu compadre, e num lhe largo mais é NUNCAAAA."

    Seguimos para a sede da UNIÃO DE MORADORES, onde comprei um terreno de 30 metros de frente por 54 metros de fundos, ao lado do terreno dele. Mandei cercar ambas as áreas com arame farpado.

    Ao longo dos anos, tive a oportunidade de adquirir mais três lotes, totalizando uma área de 5.564 metros quadrados. Neste espaço, construí o SÍTIO LARANJEIRAS, minha morada desde 2004. A realização deste sonho marcou um capítulo inesquecível em minha história. Neste momento, sob a sombra das árvores que plantei com minha família, escrevo este texto, revisitando e revivendo este sonho com imensa gratidão ao Senhor nosso Deus.

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  2. Invasão de terras devolutas sem posse, não é crime. Inacreditável!!!!

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